A mudança do clima chega à cidade pela rua que alaga, pela encosta que cede e pelo bairro onde o calor não dá trégua. Adaptar-se a ela é decisão de plano diretor, de orçamento e de obra. Quase sempre, é decisão de prefeitura.
Quatro mesas reúnem pesquisadores, urbanistas e gestores para discutir o que as cidades brasileiras precisam fazer agora, e com que dinheiro.
Programação
As quatro mesas
Auditório da FESPSP, das 19h às 22h, com intervalo entre as mesas. Dois debatedores e um mediador da Escola por mesa. Os participantes serão anunciados nesta página.
11
Quarta-feiranovembro de 2026 Custos e planejamento
19hMesa 1
A conta da adaptação
Quanto custa adaptar as cidades, com que critérios se distribui esse dinheiro e como se protege quem mora nas áreas mais vulneráveis.
Quanto custa adaptar as cidades brasileiras ao clima extremo, e quem tem a conta na mão hoje: União, estados ou municípios?
Com que critérios distribuir recursos escassos entre obras de proteção, realocação e manutenção, sem deixar as periferias por último?
Como garantir que o dinheiro da adaptação chegue aos municípios e às populações que mais precisam, e não se concentre nos grandes projetos de infraestrutura?
Participantes a anunciar.
20h45Mesa 2
Plano diretor e clima
Os instrumentos urbanísticos que reduzem a vulnerabilidade: regularização fundiária, urbanização de favelas e os entraves para ganhar escala.
Como os planos diretores podem incorporar a variável climática para além da retórica, com instrumentos que reduzam de fato a vulnerabilidade das periferias?
Qual o papel da regularização fundiária e da urbanização de favelas como políticas de adaptação ao clima?
Por que esses instrumentos não ganham escala, e o que é preciso para superar os entraves históricos à sua implementação?
Participantes a anunciar.
12
Quinta-feiranovembro de 2026 Financiamento e governança
19hMesa 3
Financiar a adaptação
Fundo Clima, títulos verdes, contribuições municipais e o papel dos bancos públicos no financiamento das cidades.
Além do Fundo Clima, que mecanismos (taxas, contribuições, títulos verdes) os municípios podem mobilizar para financiar a adaptação?
Qual o papel dos bancos públicos na estruturação dessas operações, e em que condições o crédito chega às cidades médias e pequenas?
Como a política macroeconômica e a reforma tributária podem criar incentivos à adaptação urbana, alinhando desenvolvimento e resiliência?
Participantes a anunciar.
20h45Mesa 4
Governança metropolitana
Consórcios, coordenação federativa e incentivos à resiliência em regiões onde o problema de um município é o problema de todos.
Diante da experiência dos consórcios intermunicipais, qual o modelo de governança metropolitana mais eficaz para uma crise que não respeita fronteiras administrativas?
Como coordenar União, estados e municípios numa mesma bacia, numa mesma encosta, num mesmo sistema de drenagem?
Que incentivos, tributários e institucionais, levam prefeituras vizinhas a planejar juntas a sua resiliência?
Participantes a anunciar.
Leia mais
Por que discutir adaptação agora
O clima que já mudou vai continuar mudando. A diferença entre uma cidade preparada e uma cidade em pânico se decide nos próximos planos diretores e nos próximos orçamentos.
O Brasil discute o clima há décadas pelo lado das emissões: a floresta, a matriz energética, as metas que o país assume lá fora. O seminário Cidades, clima e o futuro do Brasil parte do outro lado. Mais de oitenta por cento dos brasileiros vivem em cidades, e é nelas que chuvas mais concentradas, verões mais longos e encostas saturadas encontram sistemas de drenagem desenhados para outro século. O problema passou a ser de prefeito.
As quatro mesas seguem a ordem de uma decisão pública. Primeiro, o custo da adaptação e os critérios para distribuí-lo, porque a resposta define quem é protegido primeiro. Depois, os instrumentos que as cidades já têm, como o plano diretor, a regularização fundiária e a urbanização de favelas, e a razão de eles raramente ganharem escala. No segundo dia, o dinheiro, com o Fundo Clima, os títulos verdes e o papel dos bancos públicos, e, por fim, a governança de regiões onde a bacia, a encosta e a rede de drenagem atravessam dezenas de prefeituras e nenhuma resolve sozinha. Os temas e as perguntas de cada mesa estão na programação.
Duas instituições
O seminário é realizado pelo Diário do Centro do Mundo, veículo independente com uma história de defesa da democracia e dos direitos sociais, em parceria com a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, que desde 1933 pesquisa a cidade em que está instalada. Os debates dialogam com o livro São Paulo 2025: riqueza e desigualdades, publicado pela Escola, que revisita, cinquenta anos depois, o estudo de 1975 sobre a vida nas periferias paulistanas.
Capa · 1975
1975
Capa · 2025
2025
Cinquenta anos entre dois retratos da mesma cidade. À esquerda, São Paulo 1975: crescimento e pobreza (Edições Loyola, 1976), estudo encomendado ao Cebrap pela Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, sob Dom Paulo Evaristo Arns, assinado por Cândido Procópio Ferreira de Camargo, Fernando Henrique Cardoso, Frederico Mazzucchelli, José Álvaro Moisés, Lúcio Kowarick, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Paul Singer e Vinícius Caldeira Brant: a cidade que crescia sem atender a quem a construía. À direita, São Paulo 2025: riqueza e desigualdades (Editora Sociologia e Política / Alameda, 2026), organizado por Marcos Queiroga Barreto e Ubiratan de Paula Santos, que retoma o método do estudo original para medir o que mudou e o que permaneceu na metrópole.
Onde
Auditório da FESPSP
Rua General Jardim, 522 · Vila Buarque São Paulo, SP
Quando
11 e 12 de novembro
Quarta e quinta-feira, das 19h às 22h
Inscrições
Vagas limitadas para o público presencial. Garanta a sua pelo formulário.